segunda-feira, 29 de outubro de 2007

MESMO AO PÉ DA PORTA

- Nunca pensei que nesta pacata terra, alguma vez sentíssemos receio pela nossa integridade física e pelos nossos haveres - disse a Luísa.
- Como assim? - perguntou a Susana.
- Então não queres saber que, durante a noite passada, uns meliantes pegaram fogo a uma série de contentores do lixo e à camioneta de transporte dos "Móveis Viseu". - responde a Luísa
- Mas isso é terrível!!! - exclamou a Susana indignada - Nunca, nem no pós 25 de Abril, altura em que as coisas andavam mais agitadas, tiveram lugar tais actos de vandalismo.
Entretanto chega à cozinha a D. Rosalinda que, ao vê-las tão atormentadas, de imediato lhes perguntou o que se passava.
- Não é possível!!!! - exclamou igualmente - Mas o que é que os agentes de autoridade andam a fazer? - perguntou ela indignada.
- Olhe D. Rosalinda - disse a Susana -, andam a fazer o que sempre fizeram desde que há relatos que, no fundo da vila, recrudescem os actos de vandalismo, com arrombamento de portas, danos no património quer público que privado, distúrbios nocturnos e algazarras constantes.
- Aí mais devagar Susana - disse a D. Rosalinda -, os agentes de autoridade actuam quando para isso são solicitados e, claro, não podem adivinhar o que vai acontecer.
- Claro que não D. Rosalinda mas, se já sabem da frequência com que acontecem esses incidentes, então, a meu ver, deviam levar a cabo acções de vigilância para evitar que se repitam situações dessa natureza. - disse a Susana
- Ninguém os vê durante a noite - disse a Luísa -, apenas durante o dia, à caça da multa e da ocorrência fácil.
- Sim, aí tens razão - disse a D. Rosalinda -, não existe prevenção, apenas reacção e, depois queixam-se quando as pessoas se insurgem contra o estado das coisas e vêem para a rua manifestar-se contra tudo e contra todos.
- Mas D. Rosalinda, não é o presidente da autarquia quem deve zelar pela manutenção da ordem pública e pela estratégia para dissuadir a criminalidade.
- Não sei se é a ele que cabe zelar pela manutenção da ordem pública mas, pelo menos, é ele quem preside ao conselho municipal de segurança, a quem cabe formular propostas de solução para os problemas de marginalidade e da falta de segurança dos cidadãos do município, bem como participar em acções de prevenção através da consulta entre todas as entidades que o constituem. - explicou a D. Rosalinda.
- Puxa D. Rosalinda, a Srª. está muito bem informada!!! - disse a Cristina muito admirada.
- Sabe minha cara, nesta coisa das competências e do funcionamento dos municípios, temos que estar sempre atentos e bem informados para que, quando chegar a altura de olharmos pelos nossos interesses, não sermos apanhados desprevenidos. Além disso - continuou a D. Rosalinda -, as questões da segurança afectam-nos a todos e principalmente a quem tem uma casa aberta e acolhe os que nos pretendam visitar, sejam conhecidos ou desconhecidos.
- Pois é - disse eu entretanto chegado à cozinha, preocupado com a demora do jantar -, o desconhecimento das leis não aproveitam a ninguém, por isso, quando dizemos que não fizemos determinada coisa por desconhecermos as normas que nos regem só nos prejudicamos, pois temos obrigação de as conhecer.
- Ainda bem que chegou Mário - disse a Susana -, estávamos aqui a falar acerca da balbúrdia que foi a noite passada.
- Pois é, foi uma situação muito desagradável e, mais uma vez, coincide com a abertura do ano lectivo, até parece que estamos num subúrbio citadino, onde reina a Lei do mais forte e onde as pessoas se escondem atrás das cortinas com medo de serem identificadas pelos prevaricadores não denunciando, por isso, os atentados à sua segurança e tranquilidade. - disse eu
- Coincidências a mais para meu gosto e que contrariam tudo aquilo que fundamentou a minha educação. No meu tempo, quando o meu pai falava, apenas o ouvia, cabisbaixa, sem me atrever a olhar-lhe nos olhos. - disse a D. Rosalinda enquanto se afastava para receber os novos hóspedes que, entretanto, acabaram de chegar.

2 comentários:

Luís disse...

Penacova "no mapa" pelas piores razões...
Mais ou menos o costume!

Anónimo disse...

Pois é...tardou mas chegou!
infelizmente,começa a revelar-se agora na nossa terra,o resultado de anos e anos de politicas centralistas!...jovens sem principios,que se refugiam no alcool e afins para esquecerem os problemas familiares,o desemprego,o seu futuro.
Forças da ordem sem 'poder',sem meios,sem efectivos.
População envelhecida sem condições de defender aquilo que é seu por direito.
Habituemo-nos portanto a estes 'espectáculos' na nossa praça,fruto da nossa passividade e permissividade!

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