sábado, 2 de fevereiro de 2008

O ESPLENDOR DA ARQUITECTURA SOCRÁTICA

- Amilcar diz-me cá uma coisa. Se alguma vez fosses o responsável pelas obras cujos projectos, hipoteticamente, o nosso primeiro tenha assinado, conseguirias em consciência estar à frente dos destinos de um país???
- Bom, para te ser franco Mário, em primeiro lugar, qualquer indivíduo que consiga tocar no coração dos portugueses é, à priori, um potencial candidato a primeiro ministro, em segundo lugar, as pessoas que aceitaram um projecto assinado pelo Sr. engenheiro, só poderiam ter a certeza absoluta que o destino de tão conceituado indivíduo, só poderia ser o de 1º ministro.
- Sendo assim, achas que tais projectos de arquitectura, estariam em condições de ombrear com qualquer outro elaborado, por exemplo, por Siza Vieira.
- Absolutamente meu caro Mário, sem qualquer sombra para dúvidas.
I

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

SINOS, CARRILHÕES E DUAS CONSTELAÇÕES

- Que grande ajuntamento junto à igreja era aquele menina Alice?
- Olha Mário, parece que estão a colocar os sinos da torre.
- Os sinos na torre?
- Sim, os sinos na torre. Então não sabias que tinham sido retirados para serem restaurados?
- Não imaginava menina Alice. Sabe que eu pouco ligo a essas coisas e mais, até lhe vou contar uma coisa, arrepio-me sempre que eles tocam principalmente a anunciar a morte, o que ultimamente tem sido bastante frequente.
- Não te preocupes Mário porque brevemente vai ser colocado um carrilhão para tornar mais apelativos todos os chamamentos dos cristãos.
- Ainda bem que, pelo menos, o novo padre tem sensibilidade suficiente para tornar agradável a nossa relação com esses tais chamamentos. Será que também vai mudar o coro, ou pelo menos, algumas das vozes do coro.
- Não sei bem Mário mas pelo menos podia pensar em dar umas aulitas de canto a alguns elementos que dele fazem parte.
- Também acho que sim, pois os cânticos religiosos querem-se melodiosos, agradáveis e quase a roçar o celestial.
- Talvez ocorram mudanças nessa parte, e noutras claro.
- Então e o novo brinquedo, tem feito bom uso dele?
- Se estás a referir-te ao telescópio que os meus pais me ofereceram, posso dizer-te que sempre que o céu, durante a noite, está todo cheio de estrelas, não resisto a dar uma olhada a toda essa imensidão resplandecente.
- E o que é que mais gosta de observar?
- Para já estou na fase de conseguir identificar as constelações.
- E já identificou algumas?
- Sim claro, as mais vulgares e que se encontram no hemisfério norte, tais como Andrómeda ou Cassiopeia.
- Puxa menina Alice, pelo que estou a ver tem-se dedicado muito a observar os astros.
- Tem que ser Mário, para combater o stress.
- E já tem stress com essa idade?
- Claro que sim Mário!!! Como é que achas que conseguimos viver no mundo dos adultos?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

LAMPREIAS APREENSIVAS

A D. Rosalinda já tinha manifestado alguma preocupação acerca da possibilidade de podermos vir a ser visitados pela A.S.A.E.. Segundo ela, apesar de ter quase a certeza que tudo estava conforme o previsto na Lei, sentia invariavelmente um arrepio pela espinha acima, sempre que via aqueles fiscais, disfarçados de brigada anti-terrorista, a entrar por tudo o que era estabelecimento comercial e a levar tudo o que não tivesse a etiqueta respectiva.
- Mas o que mais me preocupa Mário, são as lampreias que estão no tanque à espera de serem consumidas na semana que se avizinha.
- Não se preocupe D. Rosalinda que quando eles cá chegarem o olharem para os bichos, muito compridos e escorregadios, não se vão atrever sequer a tocar neles quanto mais a levá-los para algum lado.
- Já não digo nada Mário, da maneira que isto anda eles levam tudo e mais alguma coisa.
- E, além das lampreias, ainda temos as Nevadas e os Pastéis do Lorvão que, também eles, não devem estar de acordo com as regras de higiene e salubridade exigidas por Lei.
- Ainda mais essa para me apoquentar Mário, já não bastavam as lampreias, ainda hão-de levar também a doçaria conventual.
- Olhe D. Rosalinda, tenho um amigo que me contou que, A.S.A.E. decidiu inspeccionar uma missa na Sé de Lisboa para verificar as condições de higiene dos recipientes onde é guardado o vinho e as hóstias usadas na celebração.
- Ai Deus meu, e o que é que aconteceu depois?
- Bom, D. Rosalinda, segundo esse meu amigo, o oficial que comandava as forças, sugeriu ao cardeal que se assegurasse se as hóstias tinham um autocolante a informar a composição e informaram-o que o vinho deveria ser guardado em garrafas devidamente seladas.
- Credo Mário, que até me benzo com a mão esquerda!!!
- Mas como se isso não bastasse, ainda acabaram por prender o D. José Policarpo, depois de terem reparado que ele não procedia à necessária higienização do seu anel após cada beijo de um crente.
- Olha Mário não estou a acreditar em nada do que estás para aí a dizer mas, da maneira que as coisas estão a ficar, não de admira que até a casa de Deus seja profanada por esses polícias das mercearias.
- Não se admire que isto piore, pelo menos a julgar pelas declarações de alguns políticos da nossa praça, que já compararam a A.S.A.E. à extinta P.I.D.E./D.G.S.

sábado, 26 de janeiro de 2008

A SAÚDE É ALIJÁ(Ó)

- Acho bastante inquietante toda esta polémica à volta do socorro prestado quer pelos bombeiros quer pelo i.n.e.m. em algumas localidades do país.
- Olha Mário, na minha opinião, os principais interessados em alimentar este tipo de situações são aqueles que pretendem chamar a si a responsabilidade pela administração dos cuidados de saúde.
- Bom Afonso, tu estarás em melhores condições do que eu para opinar sobre o assunto, pois trabalhaste algum tempo numa central de 112.
- O que eu sei Mário, é que quando as urgências funcionavam durante toda a noite, não ocorriam tantas situações dessas o que só prova, que nessa altura, os bombeiros prestavam um serviço eficaz e conseguiam "dar conta do recado" sempre que eram chamados para alguma emergência.
- Tens toda a razão Afonso, agora sempre que acontece algum acidente mais grave, em que a pessoa necessita de cuidados urgentes, as ambulâncias têm que esperar pela viatura do i.n.e.m. para que sejam prestados os cuidados necessários à vítima, não estando autorizadas a seguir de imediato para o hospital.
- Queres tu dizer então que tudo isto são guerras de capelinhas?
- Claro que são. Se as urgências fecham é necessário garantir às populações uma assistência médica eficaz, o que só será possível fazer com unidades móveis estrategicamente colocadas.
- Então Afonso, se bem percebo, o que se pretende com tudo isto é tentar mostrar às pessoas que a alternativa às urgências é o sistema de socorro feito por unidades móveis que se deslocam da sede até ao local do sinistro ou até a um ponto previamente definido com os bombeiros.
- Pois, basicamente é o que acontece.
- Mas assim o sistema é muito falível!!! Qualquer contratempo pode ter consequências irreversíveis para as vítimas e depois é um 31 até encontrar os responsáveis.
- Não Mário, aí é que tu te enganas. Ainda não percebeste que os responsáveis hão-de ser sempre os bombeiros e nunca o i.n.em.?
- Pois claro Afonso, até pode ser esse o resultado esperado, mas tenho toda a certeza que as populações dão muito mais credibilidade àqueles que sempre estiveram ao seu lado nos momentos mais difíceis do que àqueles que ainda agora apareceram com a solução para todos os problemas de saúde, como se eles nunca tivessem existido.
- Tudo se há-de resolver Mário, só temos que nos esforçar por estarmos todos à altura uns dos outros para que cada um saiba ocupar o seu lugar com responsabilidade pois só assim conseguimos zelar por aquilo que é o mais importante, a qualidade de vida das pessoas.
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