terça-feira, 6 de maio de 2008

DESPUDORADAMENTE EMBRIAGADOS

O Riças andava extremamente inquieto, não parando de se coçar e de lamber aquelas partes que só os cães gostam de lamber despudoradamente, como se não soubessem o significado do termo, ou talvez por isso mesmo.
Com o tímido chegar do tempo quente, a esplanada já acolhia os hóspedes que adoravam apreciar a vista sobre o Mondego.
Uns eram ingleses, outros finlandeses, alguns espanhóis e outros portugueses. Por norma, nem uns nem outros gostam de exagerar no consumo de bebidas alcoólicas, não que às vezes não lhes apeteça mas, ao olharem para o aspecto respeitável da pensão, logo pensam duas vezes antes de iniciarem uma viagem com um regresso quase sempre conhecido mas esquecido. Em todo o caso a D. Rosalinda fez questão de me advertir da necessidade de "controlar" os casais com filhos pequenos, para a eventualidade de cometerem alguns excessos do tipo daquele que aconteceu em Vilamoura.
I
- Oh D. Rosalinda, fique descansada que ao primeiro sinal de embriaguez vou logo direito à pessoa na tentativa de a dissuadir de tal comportamento.
- Fazes bem Mário, não quero cá crianças embaraçadas a olhar para os pais embriagados.
- Sabe uma coisa D. Rosalinda, os papéis parece estarem a inverter-se.
- Achas Mário?
- Claro que sim D. Rosalinda. Se até aqui eram os pais que ficavam embaraçados com o comportamento dos filhos agora são os filhos que ficam embaraçados com o comportamento dos pais.
- Tens toda a razão Mário. Parece que à medida que crescem ficam mais irresponsáveis.
- É do stress D. Rosalinda.
-Bom, hoje em dia o stress é desculpa para tudo.
- Para quase tudo D. Rosalinda, porque para a estupidez e para a irresponsabilidade não é desculpa concerteza.
- Olha Mário, cá para mim a culpa principal é do alcoól.
- Como assim D. Rosalinda?
- Então, se eles não beberem não fazem asneiras.
- E se calhar também não vinham para Portugal?
- És capaz de ter razão Mário mas, pelo sim e pelo não, vai deitando o olho àquele casal de inglês com os dois meninos que estão na mesa 9 da esplanada.
- E se eles se portarem mal?
- Nesse caso tens que ser tu a levá-los para a cama.
- E os meninos?
- Chamas a Luísa que ela leva-os para a cozinha onde, com a Susana, tratará muito bem deles.
- Eu vi logo que ia sobrar para mim. A partir de agora só bebem água ou cerveja que não embebede.

sábado, 3 de maio de 2008

ESPIRITUALIDADES

- D. Rosalinda, então que cara é essa?
- Olha Mário é cara de cansada....Sabes que vir a pé desde a "Rotunda da Roda" e depois estar ali em pé uma data de tempo já não é bem para a minha idade, não achas?
- Bom D. Rosalinda, costuma-se dizer que quem corre por gosto não cansa...
- Pois está bem, já sei, mas não tenho tempo para essas conversas pois tenho que ir para a cama descansar as pernas.
- Faz bem D. Rosalinda, daqui a nada vou fazer o mesmo porque a noite está fresca demais para estarmos lá fora na esplanada.
- Então, fica cá dentro e vê se chegam clientes.
- É o que vou fazer D. Rosalinda. Durma bem!!!
- Até amanhã para vocês os dois.
- Até amanhã D. Rosalinda - responderam em uníssono.
- Esteve muita gente no Terreiro esta noite, não esteve Mário?
- Se esteve Luís!!! Dúvidas não existam de que este padre sabe cativar os católicos da nossa terra...
- Soube unir o rebanho, queres tu dizer.
- Sim, pode ser visto dessa maneira, mas também é certo que o rebanho necessitava de outro pastor.
- Olha meu caro Luís, nunca gostei muito dessas coisas de rebanho, parece que cada um não sabe tomar conta de si.
- Pelos vistos, a julgar pela quantidade de pessoas que lá estavam!!!
- Pois tens razão amigo, mas o que eu acho estranho, e até difícil de aceitar, é que a igreja na nossa terra é a única "organização" que consegue atrair o interesse das pessoas a ponto de reunir num só espaço uma quantidade significativa de fiéis.
- Isso só acontece porque as outras "organizações" da nossa terra, não estão reunidas à volta de um interesse comum e talvez por isso não sejam tão atraentes aos olhos dos que procuram algo mais para além dos problemas do dia-a-dia muitas das vezes tão extenuantes.
- Estás então a dizer que todos aqueles que lá estavam, faziam-no apenas pela busca do conforto e da paz de espírito, do reencontro com Cristo, despojados das riquezas aparentes, da vaidade, da hipocrisia ou até mesmo da avareza ou da mentira?
- Bem....não direi que toda a gente estivesse lá imbuída desse espírito mas, pelo menos um devia estar.
- Quem?
- O Sr. Padre, pois claro.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

UMA QUESTÃO DE RECIPIENTE

- Estavas à espera que houvesse resposta?
- Não, claro que não, mas é uma vergonha todos admitirem que isso acontece e nada fazerem para o impedir!!!
- Não te esqueças meu caro, que os partidos políticos têm necessidade de ter em lugares chave da nossa economia, e não só claro, indivíduos que, a qualquer momento, estabeleçam a ponte entre quem governa, os patrões e os governados.
- Até há quem diga que, em política, só os porcos é que mudam porque, relativamente à maceira, essa é, e será sempre a mesma.

PARQUE PATRIMONIAL DO MONDEGO - UMA (PRECIOSA) CONTRIBUIÇÃO

- Então D. Rosalinda, também tem ouvido falar no Parque Patrimonial do Mondego?
- Sim Mário, claro que sim. Até te digo que o rapaz que está à frente dessa iniciativa, tem olho para o assunto e a ideia de (re) criar todo o ambiente que rodeava a vida dos barqueiros, das lavadeiras e de todos aqueles que do rio tiravam o seu sustento tem pernas para andar.
- Foi o que eu pensei D. Rosalinda, sé espero que todos cumpram a sua quota parte na "construção" desse parque.
- Digo-te uma coisa Mário, enquanto todos continuarem a pensar que o rio é um caixote do lixo, esse projecto não vai em frente.
- Também sou da sua opinião, mas também lhe digo que se não houver uma fiscalização eficaz, essa iniciativa não passará de um processo de boas intenções, tanto mais que, quem devia fiscalizar, não dá o melhor exemplo aos munícipes.
- Estás a falar dos responsáveis pela área do ambiente (se é que existe), da autarquia?
- Claro que sim D. Rosalinda, ainda na passada 3ª feira o limpa-fossas da Câmara Municipal estava a descarregar o seu conteúdo directamente para o leito do rio, não crendo eu que, com tal atitude, a autarquia contribua para o sucesso dessa iniciativa.
- A não ser que seja a forma que os nossos autarcas encontraram para fertilizar a flora e a fauna existentes no rio, ou então, para participar na construção desse bendito parque.....

quarta-feira, 9 de abril de 2008

CAÇADORES (DES)AFORTUNADOS

- Então Alice, ainda não falámos de como correu o dia no parque verde de Penacova.
- Ai Susana, nem me fales!!! Olha, o parque de verde não tem nada. Em vez de lá colocarem uma árvores já crescidas, com algumas folhas para decorar, colocaram lá uns paus virados ao ar que não dá para perceber muito bem se são árvores ou se são simplesmente umas estacas.
- Mas tens que compreender que, provavelmente, não tinham disponíveis árvores maiores e mais "decoradas" como tu dizes para lá colocarem e, por tal facto, tiveram que se remediar com as que lá estão.
- Lérias Susana, são só lérias que eles todos têm. O "Parque Verde" como lhe chamam, é a prova que nesta terra nada muda. Fazem tudo para poupar e, depois, dizem que não era possível fazer melhor.
- Sim, tens razão. Se pensarmos no pavilhão gimnodesportivo, nas piscinas municipais, é fácil perceber que aqui tudo nasce torto e tarde ou nunca se endireita.
- Depois Susana, por os responsáveis pela autarquia não fazerem as coisas como deve ser, têm que os clubes pôr mãos à obra para colmatar as deficiências das infra-estruturas existentes, como em Chelo por exemplo.
- E, às tantas, com subsídios da autarquia!!!!
- Isso não sei Susana mas, pelo menos, vão ser convidados para a inauguração as mais distintas entidades do nosso concelho e arredores.
- Então Alice, não digas mais nada.
- Como assim Susana?
- Então, está bom de ver, abriu a caça ao voto e quanto mais inaugurações tiverem lugar, mais votos amealham.
- És capaz de ter razão, olha que não tinha pensado nisso.
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