sexta-feira, 12 de março de 2010

Nada de novo

- Apesar de todos os altos e baixos do partido de governo, ainda assim os portugueses votariam nele novamente para continuar a conduzir os destinos do país.
- Para o abismo, claro.
- Bom, depende do ponto de vista. Há quem diga que não havendo alternativa são os que em melhor posição estão para nos governar...
- Achas? Só se for por já conhecerem os cantos à casa.
- Bem, Cavaco Silva nada disse a esse respeito, antes preferindo adoptar uma posição de Estado, obviamente pensando no melhor para o país e na sua possível recandidatura ao cargo.
- Pelo sim e pelo não, portanto.
- E também para dar tempo a Passos Coelho que, depois de ganhar as eleições para líder do PSD, ainda vai necessitar de mais algum tempo para arrumar a casa.
- Achas mesmo que vai ser esse o desfecho do Congresso do P.S.D.?
- Bem, a julgar pelas sondagens, tudo indica que sim....
- Se assim for, fico mais contente porque até tenho alguma simpatia por ele. Pelo menos não é tão brejeiro como o Rangel e nem tão soturno como o Aguiar Branco.
- Só pelo simples facto de não agradar a Manuela Ferreira leite, já tem pontos a favor, eh, eh, eh....
- Pois é. És capaz de ter razão!!! Mas olha que Santana Lopes já veio avisar que "algumas candidaturas à presidência do PSD estão a tentar manipular os comportamentos dos congressistas através de mensagens enviadas por sms"....
- E sabes porquê?
- Mais ou menos....
- Porque cheira a poder e quando assim é, todas as manobras são válidas, desde que sirvam para criar confusão e dessa forma condicionarem o resultado.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Convites e sugestões


-Boa noite.
-Boa noite. O que é que vai tomar?
- Um  café, por favor.
- Concerteza, é para já!!
Pego no jornal e, distraídamente olho para a nova decoração Pensão. Está mais bonita, mais alegre e espaçosa! Tiveram bom gosto!
O Mário já não está, algo estava diferente. Muito diferente.
Sabe, eu e ele éramos muito amigos, e continuamos a ser na verdade. Com ele conversava quando estava na Pensão, às vezes durante uma semana ou duas, e o Mário era como se fosse de família.
- Bem sei sr. Luís! O Mário falava-me muito de si, quando eu vivia com ele, claro.
- Mas como é que sabe o meu nome!?
- Bom, como lhe disse, o Mário já me tinha falado de si e da Pensão, propondo-mo inclusive,como seu substituto à D. Rosalinda.
- Áh, estou a ver.... E você é familiar do Mário?
- Sim, sobrinho...
- Que óptimo! E chama-se?
- Matias.
- Aqui tem o seu café.
- Muito obrigado Matias.
Parece bom moço. Hoje em dia a vida não está fácil para rapazes como ele. Tentam, a todo o custo, manter um emprego para conseguirem ter as suas coisas. Comprar, no fundo, um pouco de liberdade. Por isso, terem a sorte de encontrar um que lhes dê segurança e um pouco de satisfação, quantas vezes menos do que remuneração, é uma sorte. 
Se todos fossem como o Rui Pedro Soares, aquele rapaz que aproveitou o "convite" do governo para se tornar em administrador da PT, estariam um pouco melhor do que o Matias mas, concerteza com menos notoriedade. Sim, notoriedade, porque quando passar a tempestade, tudo acaba, como de costume, por ser esquecido e o rapaz retoma a vida e a tranquilidade a que estava habituado, com um chorudo ordenado ao fim do mês, para toda a vida. Muito melhor!!

Velocidade de Cruzeiro

- Ao segundo dia tudo parece normal! Os clientes e hóspedes  que antes vinham à Pensão para almoçar ou simplesmente tomar um café ou um digestivo, logo regressaram quando souberam que tínhamos reaberto. Estava com saudades de ver toda esta confusão, este entra e sai da Pensão e, principalmente, o sorriso de satisfação com que todos se despedem!!!
- É mesmo D. Rosalinda! Já tinha saudades deste ritmo!
- E o novo recepcionista, achas que ele satisfaz?
- Penso que sim! É desenrascado, bem falante, gosta de consultar aqueles livrinhos sobre os vinhos e outras bebidas a fim de esclarecer os nossos comensais,.
- Eu também acho que sim, pelo menos não tem compromissos para além da Pensão, o que já é bom, pois garante alguma estabilidade, coisa que o Mário já não podia dar, desde que se apaixonou pela Susana.
- E para onde foram D. Rosalinda?
- Parece que foram trabalhar para o estrangeiro.
- Sim, parece que também ouvi dizer alguma coisa parecida.  Foram viver para casa de um tio da Susana...
- Que sejam felizes por lá, é o que eu desejo.
- Também eu D. Rosalinda, também eu...
- E agora?
- Agora? Agora vamos ao trabalho, que os clientes não esperam....

Sabor selvagem

- E para comer, o que é que vai escolher?
- Para ser franco ainda não sei muito bem. Não sei se fico pela lampreia ou se opte pelo pelo sável grelhado.....
- Seja qual for a sua escolha, vai concerteza gostar pois, quer um quer outro prato, são de uma qualidade excelente, como aliás é apanágio da Pensão. Se os hóspedes nos escolheram, muitas vezes sem saberem muito bem se a escolha é boa, devem apreciar o que encontraram para, como é nossa intenção, voltarem sem sequer pensarem duas vezes....
- Mas eu tentei cá vir nos últimos meses e a informação que me davam, era de que a Pensão tinha encerrado e que não havia  data provável para abrir de novo.
- Pois, aconteceram algumas coisas que condicionaram a reabertura da Pensão, mas que depois foram ultrapassadas e de  momento, parece que as coisas poderão melhorar ....
 - Pois, assim espero também. A vista do quarto é extraordinária e só de pensar que poderei voltar a vê-la, sempre que desejar descansar, só por si é meio caminho andado para me sentir ainda mais bem-disposto.
- É assim que pretendemos que os nossos hóspedes se sintam. Como se estivessem em casa!
- Ainda bem que é assim. Quanto ao prato, vou  optar pelo pela lampreia, tão característica que é em Penacova, nesta altura do ano.
- Muito bem, vai comer a melhor lampreia de sempre! E para beber?
- Bom, para beber, talvez me possa aconselhar um bom vinho.
- Sim, com todo gosto! Para começar, aconselho um bom tinto, de preferência um vinho, novo, forte e adocicado para contrastar com o sabor selvagem da lampreia. Talvez um "Vinha do Rosário", colheita de 2008, seja uma excelente escolha para tornar o prato ainda mais saboroso.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Rescisão Amigável

- Então Mário, sempre ficaste?
- Não meu caro Luís, ainda pensei que a D. Rosalinda me renovava o contrato mas não tive sorte.
- Lamentou por ti amigo.
- Chamou-me ao escritório e disse que a vida não está fácil, que as finanças levam o dinheiro todo, que a crise nos Estados Unidos afectou toda a economia. Enfim, coisas de patrão.
- Claro que sim, quando podem, dispensam logo o pessoal!!!
- Talvez não tenha sido bem isso. As coisas não estão assim tão boas e, em vez de correr o risco de não me poder pagar o ordenado, preferiu não arriscar.
- Olha amigo, nos tempos que correm, ter um emprego estável, é o melhor que há.
- E tu que o digas. És funcionário público e, melhor que ninguém, sabes avaliar a vantagem de ter um ordenado fixo a fim do mês.
- Estou agora aqui a pensar se não poderíamos fazer alguma coisa para a despedida.
- Talvez um jantar, preparado pela Susana
- Exacto, feito pela Susana, e passar a noite a beber um bom vinho e a ouvir uma boa músca.
- Tipo Van Morrison...
- Isso, Van Morrison acompanhado por uma aguardente São Domingos, em copo aquecido.
- Isso Mário, uma noite inesquecível para celebrar a tua passagem por aqui e, quem sabe, antever um possível regresso à pensão.
- A partir deste momento, tudo fica em aberto. Agora, o que me apetece fazer, é saborear o repasto e preparar a minha ida para outros alojamentos e, quem sabe, preparar o meu eventual regresso.
- Acho que fazes bem. Sabes que, por vezes, é bom pararmos um pouco para redefinir objectivos.
- Também acho Luís. Quem sabe se não regressarei um dia para contar outras experiências que tragam novidades à pensão.
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