segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Exemplo de Solidariedade

Todos os dias, na cozinha da Pensão, a D. Celeste prepara duas refeições que eu me encarrego de levar a duas pessoas nossas conhecidas as quais, ultimamente, têm passado por graves dificuldades financeiras que as têm impedido de satisfazer as necessidades mais básicas. 
- Estão prontas Matias, podes ir levá-las.
- Certo D. Celeste! Mal acabe de atender o sr. Manuel, tratarei de as levar.
- Levar o quê Matias?
- Olhe sr. Manuel, vou levar duas refeições a duas pessoas nossas conhecidas que não as podem custear.
- Áh sim, aqui também existe esse tipo de carências?
- Nem o sr. imagina quanto! Pessoas que até eu nunca pensei virem algum dia a necessitar, fora aquelas que por aí andam que nós não conhecemos e que já se habituaram a comer à custa do sistema.
- Pois, bem sei, há inúmeros casos iguais a esses por esse país fora. E olhe que são os que mais exigem das entidades que lhes põe o comer na mesa todos os dias, lhes pagam renda, a mercearia, enfim tudo aquilo que nos custa dinheiro e que para eles lhes cai do céu.
- É o estado social no seu melhor sr. Manuel. E assim vamos vivendo, sem prespetivarmos dias melhores!
- E de que maneira meu caro Matias. Mas no que diz respeito à intervenção dos municípios, fique sabendo que o de Penacova, fez publicar hoje em Diário da República, o Regulamento do Fundo de Emergência Social com vista a implementar medidas de apoio a estratos sociais mais desfavorecidos.
- Quer isso dizer que vou deixar de ir levar as refeições às tais pessoas?
- Não necessariamente, mas pelo menos já está criado mais um mecanismo que permite avaliar as verdadeiras carências das pessoas, e sinalizar os casos que necessitam de uma intervenção mais urgente.
- Bom, dessa forma poderão vir a ser identificados novos casos de agregados familiares com dificuldades.
- Sim, esse poderá ser um dos resultados.
- Então, em vez de duas refeições, poderei ter que ir levar muitas mais?
- Não será o caso, meu caro Matias, mas com o agravar da crise a D. Celeste poderá vir a ter pena de muitas outras pessoas vossas conhecidas e dessa forma, aumentar o alcance da sua bondade.

domingo, 2 de outubro de 2011

Entre golos e detenções

- Bom dia sr. Armando, então está de regresso à Pensão?
-É verdade Matias, decidi passar este magnífico dia sentado na esplanada da Pensão.
- Todo o dia sr. Armando?
- Não todo, mas pelo menos o almoço e o lanche passarei concerteza.
- Tem razão Matias, o meu Benfica esteve à altura dos acontecimentos! Foi um excelente vitória!
E por falar em Benfica, queria perguntar-lhe um coisa. Você sabe algo sobre a mudança de instalações do Glorioso?
- Qual, o de cá?
- Sim o de Penacova.
- Olhe sr. Armando, soube há dias que se vão mudar, ou já se mudaram, para aqui ao lado.
- Mesmo ao lado?
- Sim, onde esteve o "Sapatilha" e mais recentemente a "Pastelaria Barca Serrana".
- Problemas com o senhorio?
- Sim, penso que sim, qualquer coisa relacionada com o montante da renda.
- É a crise Matias, é a crise! Quando não há cedência e as coisas se tornam incomportáveis, vale mais mudar, quando há alternativa, logicamente.
- É bem verdade, quando a crise aperta, há que tomar decisões. E o que vai ser para já sr. Armando?
- Pode ser um aperitivo.
- Muito bem sr. Armando, trago já!
Entretanto outros hóspedes chegaram e, tal como o sr. Armando, também eles se sentaram na esplanada da Pensão. Não pude deixar de ouvir o assunto que estavam a discutir. Também eu sou da opinião que se o Isaltino Morais não tinha que ser detido, por ainda se encontrar a decorrer o prazo de recurso da decisão que o condenou a 7 anos de prisão efetiva,  e por isso não percebo porque raio de motivo é que aquela juíza havia de mandar deter o homem?
- Inexperiência, juventude, vontade de mostrar serviço ou até mesmo falta de sentido de responsabilidade. - dizia um dos hóspedes.
- Talvez todas elas. - dizia o outro não menos indignado
Eu, na minha modesta opinião, e só para os meus botões, diria que é um autêntico atestado de incompetência, não só para a nova juíza, mas também para toda a justiça portuguesa.

sábado, 1 de outubro de 2011

Sugestão de Sons

- Quer dizer que a partir de hoje vamos pagar o gás e a eletricidade mais caros, não é verdade Matias?
- É sim sr. Álvaro, a troika assim o impõe e nós, como bons alunos que somos, obedecemos sem pestanejar.
- Mas não devíamos! De todo modo não temos solução.
- E parece que não vai ficar por aí. Segundo o ministro das finanças o próximo orçamento do Estado vai ser terrível.
- Mas sabe sr. Álvaro, todo este clima só contribui para que as pessoas se privem ainda mais. Olhe que não me lembro de haver tão pouca gente aqui na Pensão. Temos os hóspedes habituais que, tal como o sr. ainda conseguem usufruir de grande parte dos serviços que proporcionamos, mas tirando isso, os mais novos apenas ficam pela meia pensão e nunca se instalam por mais do que uma semana, o que só prova que não têm a liquidez dos mais velhos!
- Mas também poupei bastante Matias! Agora, admito que com a minha idade, não é difícil controlar os custos, já sabemos o que queremos e aquilo que devemos gastar para mantermos um nível de vida razoável, agora para aqueles jovens em início de vida, com família, casa para pagar e com todos aquelas "exigências" da nossa sociedade, não é nada fácil conseguirem manter um equilíbrio financeiro desejável sem terem que recorrer ao crédito e aí é que começam as chatices.
- Pois é sr. Álvaro, e eu que o diga! Se a D. Rosalinda não mantivesse a Pensão com a sabedoria de quem já passou por algumas crises, estava desgraçado da minha vida, sem saber o que havia de fazer. O que vale é a qualidade do serviço, e a fidelização dos hóspedes.
- Olhe Matias, por falar em qualidade do serviço, sirva-me um chá de hortelã, com duas torradas barradas com aquela deliciosa geleia de dióspiro que só a Celeste sabe fazer.
- É para já sr. Álvaro e olhe que a geleia deste ano está uma autêntica maravilha!
Entretanto chegavam os hóspedes que ficaram na Pensão para irem ao Lorvão. 
- A que horas começam os "Sons" no Mosteiro?
- Pelo que sei, e de acordo com o publicitado, começas pelas 21 horas, mais coisa menos coisa.
- E garantem transporte para Lorvão?
- Sim, claro! A Pensão tem ao dispor um mini-autocarro para transportar os hóspedes, seja nesta, seja noutras ocasiões, sempre que se verificar necessário.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Exposição em "Séries"


- Então meu caro José vais expor na Biblioteca Municipal?
- Pois é amigo Matias, assim será, durante todo o mês de Outubro.
- Ótimo! Então, já poderei dizer a todos os hóspedes que por aqui estiverem, que se poderão o dirigir à sala de exposições da biblioteca e deliciarem-se com as tuas criações.
- Sim, claro que sim, mas não te esqueças de lhes dizer que a próxima exposição será aqui na Pensão, pelo que se não tiveres oportunidade de a visitar agora, certamente que poderás ver enquanto trabalhas.
- Melhor ainda, pois assim já poderei dizer à D. Rosalinda que mande fazer uns flyers com essa indicação, para colocar nas mesas do bar e aqui na receção.
- Que bom, e não te esqueças de dizer à D. Rosalinda que depois lhe ofereço um exemplar da minha coleção para ela colocar numa das paredes da Pensão.
- Ela vai adorar! E quanto a ti  José, espero que continues a ter grande sucesso.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Passeio inédito, com património exagerado


- Bom dia Matias!
- Bom dia Sr. Luís. Então que me diz da "Noite em Busca do Património"?
- Bem, não sei porque não pude estar presente, mas pelo que vem hoje aqui no jornal, terá sido um a noite e tanto.
- Por acaso até foi, mas também não foi assim como refere esse jornal .
- Ai não! Então conte-me lá como foi.
- Bem, notei que por parte dos protagonistas da noite, aqueles que estiveram trajados a rigor, houve grande a preocupação em se aproximarem o mais possível da realidade da época, agora no que diz respeito à organização do evento, verifiquei que o único local que realmente esteve à altura do evento, foi a Igreja Matriz, todos os outros não foram alvo de preocupação por parte dos organizadores.
- Outros? Que outros locais é que não estavam como deveriam?
- Então olhe, ao fundo das escadas, a fonte que deveria estar iluminada, não estava, a Casa da Freira, repositório de grande parte do património artífice de Penacova, encontrava-se encerrada, ao que soube, por necessitar de obras
- Então e as colchas festivas?
- Olhe Sr. Luís, a única colcha que vi ser pendurada, e à pressa, foi quando o desfile já retornava do Mirante.
- Então, quer dizer, que tudo isto é mentira!
- Não, claro que não, mas não é de todo verdade, pecando até pelo exagero. Não fossem os funcionários municipais estarem presentes, e uns quantos forasteiros terem aparecido, os habitantes contavam-se pelos dedos.
- Ora bolas, e eu a pensar que tinha perdido um grande evento.
- E perdeu, mas não foi tão grande como aí vem descrito, apesar de ter que admitir que a iniciativa foi louvável, por ter sido inédita na nossa terra.
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