quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Re(s)pública por aqui

- Então Sebastião, correu bem a apresentação do livro "Penacova e a República na Imprensa Local"?
- Sim Matias, não se pode dizer que correu mal! Um número razoável de espetadores, que estiveram, tanto no hastear da bandeira, como na dita apresentação e que deram a importância digna ao evento, para além dos oradores que também estiveram à altura do acontecimento.
- Mas diga-me, a aceitação do livro foi a que se esperava?
- Bom, se foi a que se esperava não sei, mas que os presentes reagiram com visível satisfação, isso é inegável, para além do facto de todos terem tido direito, a troco de 10 euros, a um livro devidamente dedicado pelo autor.
- Que bom, é disso que Penacova precisa! Alguém que se interesse pela sua história e sobretudo, pela importância que adquiriu ao ser o berço de um dos mais destacados presidentes da república, o único que cumpriu os quatro anos do mandato para o qual tinha sido eleito.
- Tens razão! Ainda bem que vamos tendo alguém que ainda assim se vai interessando pelo imenso património desta terra.
- Perfeitamente de acordo! Só tenho pena que nem todo património seja alvo de intervenções tendentes à sua recuperação, mas como estamos em crise e ela vai servindo para desculpar esses esquecimentos, aproveita-se a penúria para iludir o Povo acerca das prioridades do investimento.
- Pode ser que a partir de agora, se olhe para "esse" tal património esquecido e se invista na sua recuperação, assim fazendo jus ao destino turístico que se pretende que Penacova seja, pondo de parte as décadas de retórica que têm caracterizado o discurso de todos os políticos que até aqui ocuparam os Paços do Concelho.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Queres fiado.....

A conversa desenrola-se à volta da polémica gerada com a cobrança antecipada, por parte do município, das refeições aos alunos do primeiro ciclo. A indignação com que muitos pais encaram a medida, prende-se com o facto de tal atitude visar somente garantir o pagamento das refeições e não com outra qualquer tentativa para aliviar as famílias já de si sobrecarregadas com os aumentos extraordinários dos bens de primeira necessidade.
- Só sei que não vou ter possibilidades de custear o preço das refeições no princípio do mês.
- Então quer dizer que a tua filha não vai comer na escola?
- Não, não se trata disso, só acho que não foram tidas em conta as verdadeiras necessidades das crianças  e dos pais. Onde é que já se viu alguém pagar aquilo que ainda não consumiu?
- Olha Susana, não posso avaliar o impacto da decisão porque não tenho filhos em idade escolar, mas sei que a comissão política do PSD de Penacova veio a público manifestar a sua indignação perante a política de cobrança antecipada das refeições pelo município, alegando que "não hájustificação para que os pais paguem as refeições dos filhos nas escolas porantecipação, independentemente dos dias em que beneficiaram do serviço" para além de a considerarem "de uma enorme injustiça e falta de consideraçãopara com os pais, que tantos sacrifícios fazem actualmente para que os seusfilhos frequentem o ensino."
- Claro que sim Natália! Estou completamente de acordo coma posição tomada por aquela comissão política, até porque a ideia que passa, é a de que, quem não tiver dinheiro não come e essa decisão está a contrariar a solidariedade que deve pautar as políticas educativas do município, as quais devem, isso sim, garantir as refeições às crianças mais carenciadas, independentemente da possibilidade que têm para as pagarem e não agir numa perspetiva unicamente economicista.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Exemplo de Solidariedade

Todos os dias, na cozinha da Pensão, a D. Celeste prepara duas refeições que eu me encarrego de levar a duas pessoas nossas conhecidas as quais, ultimamente, têm passado por graves dificuldades financeiras que as têm impedido de satisfazer as necessidades mais básicas. 
- Estão prontas Matias, podes ir levá-las.
- Certo D. Celeste! Mal acabe de atender o sr. Manuel, tratarei de as levar.
- Levar o quê Matias?
- Olhe sr. Manuel, vou levar duas refeições a duas pessoas nossas conhecidas que não as podem custear.
- Áh sim, aqui também existe esse tipo de carências?
- Nem o sr. imagina quanto! Pessoas que até eu nunca pensei virem algum dia a necessitar, fora aquelas que por aí andam que nós não conhecemos e que já se habituaram a comer à custa do sistema.
- Pois, bem sei, há inúmeros casos iguais a esses por esse país fora. E olhe que são os que mais exigem das entidades que lhes põe o comer na mesa todos os dias, lhes pagam renda, a mercearia, enfim tudo aquilo que nos custa dinheiro e que para eles lhes cai do céu.
- É o estado social no seu melhor sr. Manuel. E assim vamos vivendo, sem prespetivarmos dias melhores!
- E de que maneira meu caro Matias. Mas no que diz respeito à intervenção dos municípios, fique sabendo que o de Penacova, fez publicar hoje em Diário da República, o Regulamento do Fundo de Emergência Social com vista a implementar medidas de apoio a estratos sociais mais desfavorecidos.
- Quer isso dizer que vou deixar de ir levar as refeições às tais pessoas?
- Não necessariamente, mas pelo menos já está criado mais um mecanismo que permite avaliar as verdadeiras carências das pessoas, e sinalizar os casos que necessitam de uma intervenção mais urgente.
- Bom, dessa forma poderão vir a ser identificados novos casos de agregados familiares com dificuldades.
- Sim, esse poderá ser um dos resultados.
- Então, em vez de duas refeições, poderei ter que ir levar muitas mais?
- Não será o caso, meu caro Matias, mas com o agravar da crise a D. Celeste poderá vir a ter pena de muitas outras pessoas vossas conhecidas e dessa forma, aumentar o alcance da sua bondade.

domingo, 2 de outubro de 2011

Entre golos e detenções

- Bom dia sr. Armando, então está de regresso à Pensão?
-É verdade Matias, decidi passar este magnífico dia sentado na esplanada da Pensão.
- Todo o dia sr. Armando?
- Não todo, mas pelo menos o almoço e o lanche passarei concerteza.
- Tem razão Matias, o meu Benfica esteve à altura dos acontecimentos! Foi um excelente vitória!
E por falar em Benfica, queria perguntar-lhe um coisa. Você sabe algo sobre a mudança de instalações do Glorioso?
- Qual, o de cá?
- Sim o de Penacova.
- Olhe sr. Armando, soube há dias que se vão mudar, ou já se mudaram, para aqui ao lado.
- Mesmo ao lado?
- Sim, onde esteve o "Sapatilha" e mais recentemente a "Pastelaria Barca Serrana".
- Problemas com o senhorio?
- Sim, penso que sim, qualquer coisa relacionada com o montante da renda.
- É a crise Matias, é a crise! Quando não há cedência e as coisas se tornam incomportáveis, vale mais mudar, quando há alternativa, logicamente.
- É bem verdade, quando a crise aperta, há que tomar decisões. E o que vai ser para já sr. Armando?
- Pode ser um aperitivo.
- Muito bem sr. Armando, trago já!
Entretanto outros hóspedes chegaram e, tal como o sr. Armando, também eles se sentaram na esplanada da Pensão. Não pude deixar de ouvir o assunto que estavam a discutir. Também eu sou da opinião que se o Isaltino Morais não tinha que ser detido, por ainda se encontrar a decorrer o prazo de recurso da decisão que o condenou a 7 anos de prisão efetiva,  e por isso não percebo porque raio de motivo é que aquela juíza havia de mandar deter o homem?
- Inexperiência, juventude, vontade de mostrar serviço ou até mesmo falta de sentido de responsabilidade. - dizia um dos hóspedes.
- Talvez todas elas. - dizia o outro não menos indignado
Eu, na minha modesta opinião, e só para os meus botões, diria que é um autêntico atestado de incompetência, não só para a nova juíza, mas também para toda a justiça portuguesa.

sábado, 1 de outubro de 2011

Sugestão de Sons

- Quer dizer que a partir de hoje vamos pagar o gás e a eletricidade mais caros, não é verdade Matias?
- É sim sr. Álvaro, a troika assim o impõe e nós, como bons alunos que somos, obedecemos sem pestanejar.
- Mas não devíamos! De todo modo não temos solução.
- E parece que não vai ficar por aí. Segundo o ministro das finanças o próximo orçamento do Estado vai ser terrível.
- Mas sabe sr. Álvaro, todo este clima só contribui para que as pessoas se privem ainda mais. Olhe que não me lembro de haver tão pouca gente aqui na Pensão. Temos os hóspedes habituais que, tal como o sr. ainda conseguem usufruir de grande parte dos serviços que proporcionamos, mas tirando isso, os mais novos apenas ficam pela meia pensão e nunca se instalam por mais do que uma semana, o que só prova que não têm a liquidez dos mais velhos!
- Mas também poupei bastante Matias! Agora, admito que com a minha idade, não é difícil controlar os custos, já sabemos o que queremos e aquilo que devemos gastar para mantermos um nível de vida razoável, agora para aqueles jovens em início de vida, com família, casa para pagar e com todos aquelas "exigências" da nossa sociedade, não é nada fácil conseguirem manter um equilíbrio financeiro desejável sem terem que recorrer ao crédito e aí é que começam as chatices.
- Pois é sr. Álvaro, e eu que o diga! Se a D. Rosalinda não mantivesse a Pensão com a sabedoria de quem já passou por algumas crises, estava desgraçado da minha vida, sem saber o que havia de fazer. O que vale é a qualidade do serviço, e a fidelização dos hóspedes.
- Olhe Matias, por falar em qualidade do serviço, sirva-me um chá de hortelã, com duas torradas barradas com aquela deliciosa geleia de dióspiro que só a Celeste sabe fazer.
- É para já sr. Álvaro e olhe que a geleia deste ano está uma autêntica maravilha!
Entretanto chegavam os hóspedes que ficaram na Pensão para irem ao Lorvão. 
- A que horas começam os "Sons" no Mosteiro?
- Pelo que sei, e de acordo com o publicitado, começas pelas 21 horas, mais coisa menos coisa.
- E garantem transporte para Lorvão?
- Sim, claro! A Pensão tem ao dispor um mini-autocarro para transportar os hóspedes, seja nesta, seja noutras ocasiões, sempre que se verificar necessário.

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