terça-feira, 18 de outubro de 2011

Valha-nos o Futebol


- Quer dizer então que, uma vez apresentado o orçamento para o ano que vem, somos considerados por Bruxelas um povo com coragem suficiente para enfrentar a crise.
- Então, as coisas são assim mesmo, quando não se reclama, acaba-se por ficar com o que nos querem oferecer, com a vantagem de passarmos por bons alunos. Oh João, basta ver o exemplo dos gregos. Não têm parado de se manifestar e com isso já lhes foi perdoada uma boa parte da dívida.
- Pois Matias, tens razão, mas lá as coisas piam mais fino. Quando é para parar, para-se mesmo e se for preciso deitam fogo a tudo. E aqui...
- ...aqui ainda vamos aguentando a pancada. Somos muito tolerantes. Eu diria até que desprezamos tanto essa cambada que até os deixamos a estar a pulverizarem o nosso dinheiro. Desde que não nos tirem o futebol, o folclore, o festival, a festa da terra ou o arraial, "tudo corre às mil maravilhas". Somos assim, e provavelmente nunca mudaremos. 
- Talvez por isso é que somos fáceis de governar. Não chateamos e estamos sempre à espera de alguém que venha não sei de onde para nos salvar.
- Tipo solução divina?
- Sim, qualquer coisa assim inexplicável. Um milagre ou uma coisa assim sobrenatural, que desaparece tão depressa como aparece e depois fica tudo bem outra vez.
- Dessas coisas só nos filmes, e é preciso que sejam daqueles que só passam por altura do Natal. 
- Sabes um coisa Matias? Haja a crise que houver, mas a vitória do meu Benfica contra o Basileia é que já ninguém tira
- Vês João, ainda bem que há futebol. E nada melhor do que uma boa partida, para nos fazer esquecer as inquietações dos dias.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Doces Rainhas

brasão da ordem dos beneditinos
- Parece impossível de aceitar, que uma equipa que já esteve na Liga de Honra, tenha dado tamanho tropeção!
- É assim, meu caro Armando, quem não marca sofre. E olhe que, por vezes, mais vale andar cá por baixo e jogar com uma regularidade que permita manter uma boa posição da tabela, do que, por vezes, aspirar fazer um voo mais alto, sem condições para prosseguir e não conseguir.
- Mas todos podemos sonhar, não é verdade?
- Claro que sim, não é por acaso que o sonho comanda a vida.
- E o que vai tomar sr. Armando?
- Pode ser um café e um pastelinho de Lorvão.
- Boa escolha sr. Armando! Saiba que estes foram ontem confecionados precisamente em Lorvão.
- Ah sim, e a que propósito?
- Então não sabe que ontem Lorvão comemorou as suas Santa Rainhas?
- Não sabia não Matias, sabe que ligo mais ao futebol e essas coisas da religião passam-me um bocado ao lado, tirando, claro, a missa de Domingo e as procissões da Páscoa, esses sim, os únicos eventos religiosas que acompanho. Mas fique sabendo que os pasteis de Lorvão são muito saborosos.
- Olhe sr. Armando, aqui na Pensão os pastéis, o mosteiro e até a própria vila, são do Lorvão e não de Lorvão, como alguns preferem chamar-lhe
- Então e porquê esse preciosismo Matias?
- Tão só porque aqui na pensão, gostamos de preservar a originalidade das coisas e não as adaptamos em função da vontade de quem, por comodidade ou desconhecimento, achou que ficaria melhor desta ou daquela maneira. O mosteiro, e a própria vila, foram edificados em honra de Santa Maria do Lorvão e não de Lorvão. Para além dessa, são inúmeras as referências ao Mosteiro do Lorvão, alguma delas emitidas por entidades oficiais, não havendo por isso, da nossa parte, dúvidas em utilizar essa designação, para além do facto de Lorvão, derivar do latim, como sendo lauribano ou loureiro oco, do género masculino portanto.
- Muito bem Matias, fico esclarecido, mas mantenho a dúvida relativamente à designação, não estando porém preocupado com ela, uma vez que a delícia dos seu doces, remetem para outras discussões essa tal incorreção, se é que existe.
- Ótimo sr. Armando, ficamos felizes pela sua boa disposição e com a certeza que voltará à Pensão, seja para comer ou não, um saboroso doce conventual.

domingo, 16 de outubro de 2011

Felizes (re)encontros


- Quer dizer que gostaste muito do Encontro de Coros.
- Sim Matias, claro! E olha que não fui o único. Toda a plateia foi unânime em considerar tal encontro um grande espetáculo e olha que não havia lugares disponíveis.
- Ainda bem que todos gostaram Celeste, pena não poder ter ido, mas a coisa complicou-se aqui na Pensão e não deu mesmo. De todo o modo, se foi como o do ano passado, então está aprovado o deste ano.
- Sim, foi muito bom! Mas quanto ao facto de não poderes ir, não te preocupes que não foste o único. Até comentámos acerca da frequência com que os penacovenses não aderem às iniciativas.
- Então, mas se tu me dizes que não havia lugares disponíveis no auditório, se os penacovenses lá fossem teriam que se vir embora, ou então teriam que assistir ao espetáculo de pé, não será?
- Sim, se isso acontecesse, muitos teriam que ficar em pé, portanto, muito provavelmente já estariam a adivinhar e por isso nem se deram ao trabalho.
- Portanto, conclui-se que o problema está na falta de espaço e não na vontade de aderirem ao evento.
- Pois, pode ser, mas seja como for, não sabem o que perderam. Olha, sabes, estou cansada demais para estar aqui na conversa. Acho que vou repousar um pouco.
- Fazes bem Celeste. Descansa que logo à noite tens uma sala cheia de hóspedes famintos à tua espera.
Eu também não estou com pouca vontade de aqui estar, não fossem a meia dúzia de hóspedes que preferem admirar a paisagem da esplanada da Pensão, dava um saltinho ao Campo da Serra para ver o derby que lá está a decorrer. Como não posso, mantenho-me aqui na esperança de chegar alguém com quem possa conversar mais um pouco.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Praias dos Tesos

- Então meu caro amigo, há tanto tempo que não te via, que fazes tu aqui?
- Olha, calhou passar por perto e perguntei para os meus botões "Será que o Matias está na Pensão? Sabia-me mesmo bem comer uma Nevada e beber um cházinho"
- Fizeste muito bem em passar David! Sabes aos anos que não te via, o que te traz por cá?
- Olha, estava de passagem, a caminho de Lisboa, e resolvi fazer-te uma visita, não sabendo muito bem se te encontraria por aqui.
- Vês, tiveste sorte e até calha bem porque eu estava para aqui a pensar que bem que em faria conservar com alguém.
- Pronto, aqui me tens, agora desembucha.
- Olha David, não é nada de especial, ou se calhar até é. Sabes que eu vou todos os anos para o Algarve, para casa dos teus vizinhos. Pago menos do que pagaria num outro qualquer alojamento, com a vantagem de estar numa casa de pessoas que são quase de família.
- Pois, lá ficas muito melhor instalado.
- E agora estou com receio que a D. Rosalinda siga o exemplo do governo, ao não pagar o subsídio de férias e de Natal do próximo ano. Por isso, peço-te para falares com os teus vizinhos que para o ano, não vou poder arrendar-lhes a casa.
- Mas depois também falas com eles?
- Claro que sim, mas como foste tu que me os apresentaste, por agora peço-te que lhes digas alguma coisa, para não serem surpreendidos com a notícia.
- Mas tu achas mesmo que a D. Rosalinda te vai cortar os subsídios?
- Claro que vai David, ou tu achas que os patrões vão perder a oportunidade de o fazerem. Só estavam mesmo à espera que fosse o Estado a tomar a iniciativa. E digo-te, uma vez retirados, nunca mais vão voltar.
- E as eleições Matias? Acreditas mesmo que quando elas estiverem para acontecer, não vão logo a correr repor algumas mordomias?
- Acho que poderão voltar algumas, mas não todas e essa muito mesmo. Quanto àquilo que tu classificas de mordomias, fica sabendo que mordomias têm, ou tinham, os gregos, quando auferiam quinze meses de salário por ano e um ordenado mínimo de 750 euros, esses sim tinham mordomias, agora para nós portugueses e pobres assalariados, esses subsídios só contribuíam para diminuir a injustiça de que sempre fomos alvo.
- Sim, nesse aspecto tens todas a razão, mas quanto às férias, sugiro que vás aproveitando a praia fluvial do Reconquinho para ira a banhos, pois tudo indica que para o ano ficará ainda melhor.
- É uma boa alternativa sim senhor e olha que o nome "Praia dos tesos" nunca lhe assentou tão bem! Se queremos que os turistas que nos visitam, gostem da nossa terra, temos que ser nós os primeiros a gostarmos dela, por isso, no próximo ano, não irei só à praia do Reconquinho, mas também a todas as outras do concelho, pois para além da qualidade que a maior parte delas tem, melhor ficarão quando contempladas com a minha presença e a de outros que como eu, outro remédio não têm senão por aqui ficarem.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Apesar da Crise...


- É verdade Matias, mas já não tenho paciência para estas coisas. Viagens longas já não me atraem, sobretudo se forem feitas pela nacional. Sim porque até aí temos de poupar, e as portagens, como se sabe, são outra das formas de dar dinheiro ao Estado.
- Mas conte-me D. Rosalinda. Chegaram então ao bendito entendimento?
- Quer dizer...mais ou menos, não foi bem um entendimento. A única coisa que nos interessa é o não agravamento da taxa do IVA para os 23%, pois se assim for, temos de aumentar tudo e depois, sabes como é, os primeiros a sofrer são os funcionários.
- Pois eu bem sei como é D. Rosalinda, daí estar com esperanças numa solução que fosse boa para todos.
- Olha meu santo, para já não está nada definido. Vamos, numa primeira fase, mostrar indignação, apresentar as nossas posições, as posições dos nossos colaboradores e clientes, para depois, caso não corra bem, avançarmos com outras medidas mais duras de reivindicação, como por exemplo encerrarmos os restaurantes durante pelo menos um dia e, quem sabe, avançarmos com outras mais gravosas para a nossa economia, como por exemplo, boicotarmos o que é português.
- A questão é sempre a mesma D. Rosalinda. Enquanto não fiscalizarem, ao cêntimo, aquilo que entra e sai do nosso país, nunca seremos capazes de arrepiar caminho. Se agora nos pedem um esforço suplementar, para as coisas ficarem resolvidas, quando por fim ficarem, começam de novo a gastar como se não tivessem que prestar a mínima satisfação aos que lhes pagam as mordomias. Por isso D. Rosalinda, não vale a pena confiar nos políticos. E digo-lhe mais, se a democracia era o melhor sistema de governo dos povos, por causa desses srs. acabará por se tornar numa política suicida, que só conduz a sociedade ao caos.
- E esse caos é que favorece o aparecimento do conservadorismo, do obscurantismo, da concentração de poderes e na manutenção de uma ordem pela força. Mas deixemo-nos de cenários catastróficos, se bem que está mais para isso do que para outra coisa. Conta-se então como foi o dia na pensão?
- Nada de especial D. Rosalinda, tirando o vergonhoso resultado com que nos presentou a seleção, foi mais um dia de calor quase insuportável.
- Mas estou aqui a ver um cartaz novo no placard da Pensão.
- Eh, as meninas da Forja pediram que o afixa-se e aí está ele a anunciar um momento de Contos, interpretados pela Dolores e pela Ana Rita, com a participação especial da harpista Ana Silva.
- Quem? Aquela senhora que esteve presente na Feira do Livro?
- Sim, essa mesmo?
- Que bom que vai ser rever essa senhora e as magníficas músicas que ela tocou.
- Mas Outubro não nos traz somente o evento da Forja! Para além desse, também no Centro Cultural, ainda podemos ver a exposição do José da Fonte, o Encontro de Coros e um filme português, integrado no ciclo com o mesmo nome. Para além desses, também temos em Lorvão, as Comemorações das Santas Rainhas. Portanto, como vê D. Rosalinda, não há motivos para ir à procura de momentos agradáveis que nos ocupem os tempos livres que temos noutras paragens, porque afinal aqui também os podemos encontrar, só basta procurá-los.
- Ainda bem que assim é Matias, sinal de que Penacova mexe e que, pesar da crise, ainda existem alguns que teimam em se manterem ativos e úteis.
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