segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Saudades dos Primos


- Então Alice, gostaste de rever os teus primos?
- Adorei avó, foi um dia inesquecível!
- Também acho que foi Alice, e ainda por cima tivemos a oportunidade de ver primos que ainda não conhecia. Só por isso valeu a pena!
- E o mais engraçado de tudo, é que as coisas foram todas combinadas pelo facebook!
- Aquela coisa social que anda aí muito em voga?
- Sim avó, mas não é aquela coisa social, é uma rede social! Um sítio onde apesar de não nos tocarmos, conseguimos contactar uns com uns outros, em tempo real.
- Mas é preciso ter cuidado com essa coisa Alice. Sabes que há relatos de muitas experiências desagradáveis. De pessoas que se fazem passar por outras, só com um intuito de se enganarem umas ás outras.
- Sabes avó,  a quem me pergunta se devo ou não ter confiança no facebook, digo-lhes simplesmente que, tal como qualquer outra rede social, tem tudo de bom, e tudo de mau, e como tal, tanto pode ser utilizada por alguém que tenha boas ou más intenções. No nosso caso, se não fosse o facebook, quase de certeza que não nos reuniríamos tão depressa como aconteceu. Portanto, apesar de todas as as coisas más que possa ter, muitas outras boas terá concerteza, e prova disso, foi a magnífica tarde que passámos juntos. 
- Sim, tens razão. O mesmo se passa, por exemplo, com as bebidas alcoólicas, ou os doces. Quando os consumidos em excesso, causam os danos que todos nós conhecemos, e que todos dias  vitimam centenas de pessoas.
- Mas olha avó, mas não estamos aqui para falarmos de tristezas. Tenho a dizer-te que todos adoraram a refeição que lhes proporcionaste!
- Bem, não fui eu que a proporcionei, mas sim a Celeste, ajudada por um dos nossos dedicados estagiários. Eu apenas disponibilizei o espaço para que todos se pudessem reunir o mais confortáveis possível. Só tenha pena que os pais, avós e tios não estivessem também presentes, mas isso ficará para outra altura, que espero seja para breve.
- Pois é avó, realmente poderiam ter sido convidados. Mas todos fizemos questão que este almoço fosse para os mais novos. Desta vez foi assim, para a próxima será diferente.
- Sim, eu até compreendo o motivo que vos levou convidarem somente os primos. São mais jovens, gostam de estar num ambiente mais jovem, falarem de coisas mais jovens e centrarem-se em vocês jovens.
- Exato avó, esse foi o principal motivo que levou a que se optasse por esse "modelo" de almoço. Numa outra altura, será feito um almoço para toda a família, e aí sim, todos poderão desfrutar da alegre companhia dos primos, tios, irmãos, avós e pais. 
- Muito bem minha querida! Sabes Alice, agora vou deitar-me que já não aguento dos meus joanetes.
- Fazes bem avó. Não tarda nada também subo.

sábado, 29 de outubro de 2011

Chanfana dos Santos


- Então João, que fazes por cá hoje?
- Olha Matias, fui convidado para a festa da Cheira e cá estou.
- Da  Cheira e do Chainho queres tu dizer.
- Pois, claro, tens razão. É a força do hábito.
- E correu bem a viagem?
- Nem por isso. Vim pela estrada do Luso e olha que apanhei algumas surpresas.
- Porquê, encontras-te alguma árvore caída?
- Não, não se tratou de uma árvore, mas sim das obras de repavimentação que nela estão a decorrer e se não fores atento, corres o risco de ser surpreendido.
- Se assim é admira-me ainda não ter ocorrido alguma acidente!
- Também não sei o que vai na cabeça daquele pessoal. Onde é que já viu andarem a reparar uma estrada, sem que essa empreitada esteja convenientemente sinalizada?
- A estrada já de si não é uma estrada fácil. Muitas curvas, algumas delas bastante acentuadas, não tornam a tarefa fácil para quem não a conhece muito bem, e mesmo conhecendo, ser surpreendido com rasgos no alcatrão, capazes de provocar danos na viatura, ou até mesmo um acidente.
- É, tens razão, deveria haver melhor sinalização, apesar de todos sabermos que aquela estrada necessitava e uma intervenção. Mas conta-me! Será que vale mesma pena entrar agora para a faculdade, nesta altura do campeonato.
- Claro que vale! Ainda ontem começou a Latada, por isso só a partir de agora é que as aulas vão realmente começar.
- Olha Matias, espero que realmente consigas acabar ou teu curso. É bom encarar a vida como um desafio, mas nunca perdendo a noção dos custos que uma decisão dessas pode acarretar.
- Pois é, tens razão! Nos dias que correm, qualquer desvio pior calculado poderá ditar a continuidade de um percurso. Por isso tem de haver um forte empenhamento.
- Ao fim e ao cabo, o mais importante é que tudo corra bem e, a final, dês o tempo por bem empregue, seja pelos resultados, seja pelos amigos que vais encontrar.
- Tens razão João! Sempre digo que problema não está em entrar, mas sim em sair. Então dizes tu que vieste à Festa da Cheira. Então, não te escapas de comer uma chanfana.
- Claro, se não houver chanfana não há festa.
-Obviamente que sim, mas não te esqueças que a chanfana é prato do dia, todos os dias, aqui no restaurante da Pensão.
- Bem sei Matias, mas parece que sabe melhor quando à festa.
- Aqui para nós João, eu também prefiro comê-la nessa altura, apesar de aqui ela ser deliciosa todo o ano.
- Pois bem meu caro Matias. Folgo saber que está de boa saúde, que tens projetos para o futuro e que, concerteza, nos vamos encontrar num dois bailes da festa.
- Podes crer João. De todo o modo, se isso não acontecer, aparece aqui na Pensão, para conversarmos mais um bocadinho.
- Fica descansado, mas agora tenho que ir. Ainda vou comprar umas quantas flores para o Dia de Todos os Santos.
- Fazes bem João, um grande abraço para ti e para família e até um destes dias.
- Fica descansado que logo que possa, venho visitar-te para falarmos mais um pouco, e olha que tenho algumas novidade que vais gostar de saber.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Os preços da cura


- Não queiras saber a inquietação que houve lá na farmácia!
- Diga-me D. Rosalinda, conte-me lá o que aconteceu!
- Então, cheguei lá e o sr. Anibal perguntou-me se preferia um genérico.
- E...?
- E eu não soube o que responder. Sei lá se devo querer o genérico ou não. O que eu quero é um medicamento que me faça bem.
- Mas, não estou a perceber o que é que provocou a confusão! Estava lá mais alguém para além da srª. e do sr. Anibal?
- Sim, estava lá um médico.
- E...?
- E perguntou logo porque razão ele estava a perguntar tal coisa, uma vez que estaria bem identificado o medicamento a aviar.
- E por isso a srª. ficou sem saber o que fazer, não é?
- Lógico!
- Mas é fácil de entender D. Rosalinda. Um estava a tentar dizer à srª. que tinha lá um medicamento mais barato, que lhe resolvia o problema da mesma maneira. O outro, estava a tentar dizer-lhe que a opinião do médico é aquela que deve prevalecer, indepedentemente de haver um sem número de opções para solucionar o problema. Agora, resta saber de que maneira, uns e outros, optam por aconselhar esta ou aquela marca. Se na perspetiva do utente, se na sua perspetiva ou se na perspetiva do fabricante.

domingo, 23 de outubro de 2011

Proteja-se, não só por si, mas também


- Quando vem uma chuva mais intensa, lá temos nós os nossos bombeiros a saírem para o IP3. É impressionante a quantidade de acidentes que ocorrem, tanto no IP3, como no IC6. Óh sr. agente, sabe dizer-me em qual deles foi?
- Olhe Matias, segundo informações disponibilizadas há pouco, o acidente desta tarde ocorreu no IC6 e dele resultaram 5 feridos e um morto.
- Credo, valha-nos São Cristovão! Já não chegam as intermináveis obras, as pontes a ameaçarem ruir e a perigosidade do traçado, associado ao volume de tráfego que se faz notar, principalmente aos fins-de-semana, ainda teem que acudir aos acidentes que cada vez mais ocorrem. Vocês e os bombeiros, são de facto incansávéis.
- Mas não é só meu caro Matias. Para piorar a situação, já de si bastante má, ainda temos a crise.
- Crise, mas o que é que a crise está a fazer ao trânsito? A bem ser, até deveriam diminuir esses problemas, tendo em conta que o número de veículos nas estradas também ele tem tendência para a diminuir.
- Mas engana-se meu caro. O que neste momento acontece, e isso sim poderá aumentar o número de acidentes, é que as pessoas fazem cada vez menos manutenção das viaturas, apesar de não diminuirem a sua utilização. Isso, aliado a todos aqueles problemas que enumerou, constitui a receita ideal para que os acidentes aumentem.
- Pois é sr. agente, tem toda a razão! De facto, a crise também afeta a segurança nas estradas. E ao ritmo com que somos bombardeados com mais e mais medidas de austeridade, não se prevê que as coisas melhorem nos próximos tempos.
- É bem verdade meu caro amigo. Outro remédio não temos do que continuarmos a sensibilizar as pessoas da necessidade de, cada vez mais, serem cautelosas quando conduzem.
- Olhe sr. agente, valha-nos o futebol. Pelo menos esse ainda vai trazendo algumas alegrias as adeptos, pelo menos aos do Porto que, tal como eu, estão de parabéns pelo resultado e pela sua manutenção no primeiro lugar da liga da sua grandiosa equipa.
- Com os mesmos pontos do Benfica, melhor dizendo.
- Sim claro, mas essa realidade já não nos alegra assim tanto.

sábado, 22 de outubro de 2011

Voo Picado, Molhado e Muito Bem Calculado

- Olha Alice, de uma coisa podes ter a certeza. Quando o homenzinho viu o carro a sair disparado da estrada, com direcção à água, tenho a certeza que rezou a todos os santinhos e mais alguns, para que a queda não fosse nada por aí além.
- Pudera Matias, só de me lembrar que até poderia nunca conseguir sair de dentro da viatura. Nem me quero imaginar numa situação daquelas.
- Tu já imaginaste o que seria, se por acaso ninguém se tivesse apercebido ou se caísse mesmo no meio do rio? De certeza que daquela não escapava e havia de ser um problema para o encontrar.
- Nem me fales numa coisa dessas, acho que seria horrível. E tu, lembras-te daquela vez que caíste num ribanceira, ali para os lados da Espinheira, lembras-te?
- Bem, lembro-me de ter acordado no fundo da ribanceira, de pernas para o ar, e com o carro todo espatifado.Mas depois lá me consegui desenvencilhar da situação e subi a barreira até à estrada. 
- Não te mataste por pouco, não foi?
- Se foi! Passei ao lado de uma cerejeira, que se deve ter arredado para eu passar. Depois, olha, fui a acordar um amigo que me ajudou a resolver a situação.
- E o carro?
- Bem, o carro ficou praticamente destruído e penso até que foi diretamente para a sucata, mas disso já não me recordo muito bem.
- São horas danadas Matias. E quando nos safamos, dizemos sempre que foi a uma boa hora. 
- Éh, nós, os portugueses, somo assim Alice. Apesar de termos passado por uma situação menos boa, acabamos sempre por arranjar uma outra bem pior da qual nos livrámos, para assim nos confortarmos. Como exemplo, tens aquele indivíduo que acabou de partir uma perna e logo a seguir, todo bem-diposto, diz que, apesar do azar ainda teve muita sorte, porque em vez de uma, podia ter partido as duas.
- Tens razão Matias. Basta vermos o que se passa hoje nosso país. Estamos com o cinto no último buraco das calças, mas mesmo assim ainda conseguimos arranjar uma qualquer situação, para nos colocarmos em vantagem relativamente a eles, que já nem sequer cinto têm.
- Mas esquece a crise e prepara-te para passar um bocado da tua noite, a ouvir umas histórias, contadas por quem sabe, e algumas músicas interpretadas por uma tocadora de harpa.
- Acho que vou aceitar a tua sugestão. Agora que vim da sessão de yoga, vou tomar um banho quente e preparar-me para ir então ao Centro Cultural.
- Fazes bem Alice. Depois, se quiseres companhia, diz qualquer coisa, quem sabe não estarei com disponibilidade para te acompanhar.
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